Resumo
A implementação da sustentabilidade urbana implica a melhoria da qualidade de vida e a redução dos impactes ambientais das cidades, quer ao nível da produção de resíduos (calor, poluentes), quer do consumo de recursos externos à cidade (energia, água). As condições climáticas podem contribuir para todos esses aspectos ao proporcionar ambientes confortáveis, saudáveis e seguros e favorecendo a utilização de espaços exteriores. A consideração do clima local não vai necessariamente interferir com interesses económicos; pelo contrário, o planeamento adaptado ao clima pode contribuir para a redução de custos, por exemplo reduzindo o consumo de energia nos edifícios e contribuir para a diminuição de custos e danos associados a acidentes de diferentes tipos, como os que estão relacionados com a ocorrência de ventos fortes. No projecto CLIMLIS (POCTI/34683/GEO/2000) foi feita uma primeira abordagem do clima de Lisboa numa perspectiva aplicada, centrada, sobretudo, sobre a escala mesoclimática, à excepção de um caso de estudo na escala microclimática, no bairro de Telheiras. No presente projecto pretende-se desenvolver a abordagem de factores climáticos nos espaços exteriores e de transição, tendo como principal objectivo chegar a conclusões sobre a forma de os tornar mais confortáveis e seguros e avançar soluções que permitam poupar energia. - Factores térmicos, afectando os indivíduos através da acção combinada de diferentes variáveis atmosféricas (temperatura do ar, velocidade do vento, humidade atmosférica, radiação); a acção dos factores térmicos faz-se sentir quer ao nível do conforto, quer da segurança, salientando-se neste caso a influência das condições térmicas extremas sobre a saúde, sobretudo em grupos particularmente sensíveis, como os idosos. O incremento da mortalidade em situações de vagas de calor serve de exemplo ao que foi referido. - Factores Mecânicos, dependentes sobretudo da velocidade do vento. Também neste caso se pode considerar, por um lado, a influência sobre o conforto nos espaços exteriores (outdoor spaces) e, por outro lado, a criação de situações de risco, associadas a vento forte, quer para transeuntes, quer devido à queda de objectos (árvores, chaminés, andaimes, etc); O estudo da “ambiência” a que um indivíduo está submetido será completado pela monitorização da qualidade do ar e do ruído em diversos bairros. Além disso, a qualidade do ar será modelizada para o conjunto da cidade de Lisboa em função quer da emissão de poluentes, quer das condições de dispersão e remoção. O carácter eminentemente interdisciplinar da climatologia urbana leva a que pretendam contribuir para este projecto investigadores com diversas formações (arquitectos, engenheiros, geógrafos e socióloga) e diferentes instituições, nomeadamente o Centro de Estudos Geográficos (instituição proponente), o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a Faculdade de Arquitectura de Lisboa.
